sexta-feira, 15 de abril de 2011

Governo arma reunião para tentar destravar obras de hidrelétricas paradas.

O governo federal realizou nesta terça-feira (29/3) uma reunião entre sindicalistas e empresários da construção civil para tratar de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que se encontram paralisadas após conflitos nos canteiros. Entre elas, as hidrelétricas de Jirau (3.450MW) e Santo Antônio (3.150MW), no rio Madeira (RO), e São Domingos, no Mato Grosso do Sul. Sem consenso, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, marcou nova conversa para a quinta-feira (31/3).

Carvalho, com trânsito entre os sindicalistas, foi nomeado pela presidente Dilma para dedicar atenção especial aos problemas envolvendo os empreendimentos paralisados. As hidrelétricas tiveram os trabalhos suspensos após conflitos que terminaram com destruição de alojamentos e presença policial em Jirau e São Domingos. Em Santo Antônio, a proximidade com Jirau e sinais de uma iminente confusão levaram o consórcio construtur a optar por aguardar as negociações.

"A reunião de hoje (terça) foi apenas o primeiro palco, houve muita briga. Trabalhadores de um lado e patrão, do outro. Mas caminhamos para um processo que parece interessante. Logo após a reunião, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) sentou-se com a Odebrecht e com a Camargo Correa, para tentar resolver o problema de Jirau e Santo Antônio", resumiu Carvalho.

O presidente da CUT, Artur Henrique, afirma que foi às usinas e teve "um diagnóstico grave" sobre as situações de trabalho. Paulo Safady, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, diz que Jirau está parada "por uma questão de polícia" e alega que "a Força Nacional que foi para lá com o objetivo de conter as revoltas concluiu que não havia condições de trabalho". Ainda assim, Safady acredita que há "exagero das centrais" e os conflitos no Madeira são "pontuais".

Segundo o ministro Carvalho, a reunião de quinta vai trabalhar com a perspectiva de "uma mesa permanente de negociação", envolvendo "trabalhadores, patrões e governo". O secretário-geral da Presidência também fala em "ter uma mesa (de negociações) em cada obra importante.
Fonte:Jornal da Energia

Brasil possui 331 centrais geradoras hidrelétricas

Santa Catarina é o estado com maior número de CGH em operação, com 77 empreendimentos, seguida de Minas Gerais, com 73, e Rio Grande do Sul, com 36. O Mato Grosso ocupa o quarto lugar, com 29 centrais, enquanto que São Paulo possui 28

13 de abril de 2011 – A matriz energética nacional possui 331 Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGH) em operação. Essas mini usinas, com capacidade instalada de até 1 Megawatt (MW), tem capacidade instalada de 188,7 MW e representam 0,17% da matriz energética brasileira. Em 1998, 21 centrais estavam registradas com uma potência total de 11,56 MW.

Atualmente, uma central está em construção em Minas Gerais. Outras 68 foram outorgadas pela AgênciaNacional de Energia Elétrica (Aneel), mas ainda não iniciaram as obras.  

Santa Catarina é o estado com maior número de CGH em operação, com 77 empreendimentos, seguida de Minas Gerais, com 73, e Rio Grande do Sul, com 36. O Mato Grosso ocupa o quarto lugar, com 29 centrais, enquanto que São Paulo possui 28.

A política governamental prevê para os interessados em explorar o potencial hidráulico das centrais geradoras descontos de no mínimo 50% nas tarifas de uso dos sistemas elétricos de transmissão e distribuição.

Para entrar em operação, as centrais precisam ser registradas na Aneel.

Segundo o Decreto nº. 2003/1996, os aproveitamentos de potenciais hidráulicos de até 1 MW independem de concessão ou autorização, porém devem ser comunicados ao órgão regulador e fiscalizador do poder concedente para fins de registro.

Desativar uma usina nuclear é mais difícil do que se previa.

Desativar uma usina nuclear é mais difícil do que se previa


Teoricamente, ao atingir o fim de sua vida útil, uma usina nuclear deverá ser desmontada como qualquer outro equipamento inservível.
Na prática, porém, autoridades e técnicos suíços e alemães estão vendo que a coisa não é tão fácil como se prevê nos estudos teóricos.
A experiência dos dois países mostra que fatores inesperados podem surgir na questão do desmantelamento dos equipamentos nucleares e que o planejamento financeiro não responde às necessidades reais.
A usina nuclear de Beznau I, a mais antiga da Suíça, está se aproximando do momento de sua desmontagem, mas nem tudo está saindo como previsto.[Imagem: SFNSI]
Desativação de usinas nucleares
A demolição das usinas nucleares desativadas na Suíça já está planejada desde que elas foram projetadas. Porém, desde que entraram em funcionamento, nunca o destino dessas centrais esteve tão politicamente incerto como agora.
Oficialmente a indústria atômica e o governo consideram que as usinas nucleares têm um período útil de vida de cinquenta anos.
Durante esse tempo, os consumidores de energia pagam um acréscimo na conta de energia de 0,8 centavo de franco suíço por Kilowatt/hora. Os recursos captados alimentam dois fundos: um fundo para o desligamento das centrais e um fundo para financiar a eliminação dos dejetos radioativos.
Os dois fundos são controlados pelo governo federal. Assim como os fundos de pensão, esses recursos são aplicados nos mercados financeiros. A meta é um retorno de capital na base de 5% ao ano. Atualmente a soma de capital dos dois fundos é de 4,15 bilhões de francos.
O custo oficial planejado para a eliminação dos dejetos radioativos durante o período de funcionamento das centrais (eliminação e transporte do lixo nuclear), e da demolição consequente das estruturas, é de 15,5 bilhões.
Desse valor, as operadoras das centrais assumem 7 bilhões. Os restantes 8,5 bilhões deveriam vir dos fundos - mas os fundos têm menos da metade disso.
Falta capital para o risco
Assim fica claro: mesmo se a central nuclear não for retirada prematuramente da rede elétrica, o financiamento do desmantelamento não está 100% garantido. A questão é se os mercados de capitais podem dar realmente um retorno anual de 5%. Em todo caso, especialistas consideram essa meta bastante ambiciosa.
Além disso, ainda é preciso levar em conta complicações possíveis no caso de trabalhos complexos e dispendiosos no desmantelamento. No caso de desativação prematura, o fundo não é mais financiado.
Caso haja necessidade de capital, a Lei atualmente em vigor na Suíça sobre o uso da energia nuclear prevê que as operadoras das centrais nucleares cubram a parte em falta, caso os recursos disponíveis nos fundos não sejam suficientes. Porém, especialistas duvidam que a quota de capital próprio responda a essa necessidade.
O especialista em mercados financeiros, Kaspar Müller, escreve no seu estudo publicado em 2008 - "Risco e rendimentos das centrais nucleares" - que falta "em grande ordem às centrais nucleares capital para assumir responsabilidade em caso de riscos e a estabilidade financeira é questionável".
Desmantelamento problemático na Alemanha
A experiência, até então, com o desmantelamento de uma usina nuclear na Alemanha, mostra que esse processo complexo não apenas pode durar mais do que vinte anos, mas também provocar surpresas desagradáveis na forma de locais que estão contaminados radioativamente. Esse fator aumenta o trabalho e também os custos.
"Nos últimos anos as empresas especializadas no desmantelamento ganharam bastante experiência. Foi possível aperfeiçoar e melhorar os métodos utilizados,", declara Philipp Hänggi, da Swissnuclear, o grupo de interesse das empresas do setor.
"Contudo, os custos e o tempo de desmantelamento da primeira dúzia de centrais desativadas não são diretamente transferíveis aos novos projetos de desmantelamento As etapas individuais podem ser padronizadas, mas o desmantelamento de todo o sistema será sempre um projeto individual," diz o representante da indústria.
Hänggi considera o prazo de 15 anos para desmontar completamente uma central nuclear como realista. A questão, de saber se o terreno utilizado poderá abrigar posteriormente um parque infantil, é respondida por ele com um "sim".
Herança nuclear
Na desmontagem, em primeiro lugar são removidos os bastões de combustível nuclear e o edifício do reator. A descarga das barras de combustível "não é um processo extraordinário", declara Michael Schorer, chefe de comunicação no Fórum Nuclear. "Os bastões de combustível são trocados regularmente durante o funcionamento normal das centrais e levados para depósitos provisórios."
As autoridades suíças estimam que o simples desmantelamento de todas as centrais nucleares do país e a manutenção do depósito provisório de lixo nuclear em Würenlingen custaria 2,2 bilhões de francos.
Os custos de eliminação durante o período de funcionamento das centrais são de 13,3 bilhões. No valor está incluído o reprocessamento dos bastões, o depósito provisório e o depósito geológico final.
A cada cinco anos os custos são checados e reavaliados. Um estudo mais recente deverá ser publicado em 2012.
A partir da catástrofe no Japão, a pressão para o desligamento antecipado das mais antigas usinas - Mühleberg e Beznau - não vem mais só dos grupos de esquerda e os ecológicos, mas também de uma parte dos partidos de centro.
Por outro lado, o lobby atômico resiste: a desativação prematura teria não apenas consequências a curto prazo, mas também afetariam o planejamento do período subsequente, incluindo também o financiamento para a demolição das estruturas criadas.


terça-feira, 5 de abril de 2011

Argentinos investem pesado para gerar energia dos ventos

parque_eolicoNo Brasil, principalmente em regiões litoraneas sulistas ou nordestinas, as rajadas de ventos raramente atingem mais do que 10,0 metros por segundo.
Prá ter a dimensão do que essa velocidade de ventos significa, basta dizer que na Europa, a maior parte da geração de eletricidade é feita com ventos de até 6,0 metros por segundo.
Nos vales argentinos patagônicos, no entanto, as rajadas comuns invariavelmente são menores do que 50,0 metros por segundo e movimentariam, facilmente, milhares de “ventiladores” gigantescos para produzir eletricidade abundante e relativamente barata, até pára exportar aos países vizinhos.
Uma lei aprovada em 2009 dá prazo de dez anos para que argentinos elevem para 8% do mix total elétrico os seus percentuais de geração de energias renováveis não-tradicionais.
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O Rio Grande do Sul  já retira dos ventos, significativos percentuais de energia elétrica através do Parque Eólico de Tramandaí (foto ao lado).
Nos leilões públicos brasileiros e argentinos os preços médios dos empreendimentos eólicos vai de R$ 140 a R$ 148 por Megawatt/hora produzido.
Um dos maiores entraves tanto na Argentina quanto no Brasil é a deficitária e antiquada rede de transmissão elétrica existente e as dificuldades geográficas e operacionais para ampliar suas estrutura.
As localidades de Comodoro Rivadávia, Santa Cruz e Buenos Aires são as que mais projetos eólicos implementarão nos proximos 36 meses 


Petrobras assumirá termelétrica em Cuiabá até 2012

Termelétrica Governador Mário CovasSão Paulo - A Petrobras e a Empresa Produtora de Energia (EPE), controladora da Usina Termelétrica Governador Mário Covas, chegaram a acordo que viabilizará a retomada das atividades da unidade. Ela está paralisada desde agosto de 2007 em função da interrupção do fornecimento de gás natural pela Bolívia. Após meses de negociações, as partes assinaram ontem contrato de locação da usina localizada em Cuiabá para a Petrobras, com vigência até o final de 2012.
Nesse período, a Petrobras assumirá a condição de titular da energia gerada pelo empreendimento. A EPE, por sua vez, seguirá à frente da operação e manutenção do empreendimento. Para viabilizar a retomada das operações da unidade, foi acertado que a Petrobras ficará responsável por garantir o abastecimento do local.
A EPE, também conhecida como Pantanal Energia, não revelou a existência de acordo entre Petrobras e governo boliviano acerca do envio de gás natural para Cuiabá. Em outubro do ano passado, entretanto, representantes do governo boliviano e da petrolífera estatal YPFB garantiram a retomada do fornecimento de gás natural para Mato Grosso.
Caso esse acerto não seja confirmado, a Petrobras terá a alternativa de abastecer a usina com gás natural transportado a partir de caminhões ou com diesel - alternativa considerada menos provável. "A retomada da operação da Usina Termelétrica de Energia (UTE) Cuiabá, com seus mais de 500 megawatts de capacidade instalada, representa a garantia de confiabilidade elétrica para a baixada cuiabana e uma importante contribuição à segurança energética nacional", destacou em nota o diretor presidente da EPE, Fabio Garcia.
A solução de arrendamento da unidade negociada entre Petrobras e EPE não é inédita. Em 2007, a Petrobras firmou acordos semelhantes com as estatais Emae (SP) e Copel (PR) para arrendar, respectivamente, as termelétricas Piratininga e Araucária, nos mesmo Estados. Em ambos os casos, a Petrobras passou a deter o direito de explorar comercialmente a geração de energia elétrica dos empreendimentos, que enfrentavam dificuldades de operação por falta de gás natural.
fonte (http://exame.abril.com.br)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Copel prevê entrada em geração de energia eólica

Reuters/Brasil Online

SÃO PAULO (Reuters) - Além de garantir ampla participação nos leilões de geração e transmissão de energia que serão realizados neste ano, a estatal paranaense Copel prevê a entrada no segmento de energia renovável, principalmente a eólica.
Entretanto, a companhia não participará, de forma alguma, de projetos que tenham taxas de retorno inferiores aos custos, afirmou o presidente do conselho de administração, Mauricio Schulman.
"Além das usinas, desenvolveremos e implantaremos projetos de outras fontes renováveis, e vale o destaque para as fontes eólicas", disse o executivo nesta quarta-feira, em teleconferência com analistas sobre os resultados do quarto trimestre de 2010.
"Seguramente é muito importante que a empresa esteja presente neste desenvolvimento."
Schulman afirmou que prospecções indicam que o potencial para a energia eólica no Brasil são de mais de 150 mil megawatts (MW), "50 por cento a mais que todo o potencial instalado no país".
Na terça-feira, a CPFL informou que está se focando na geração de energia eólica, que "pelo menos está 10 por cento à frente da biomassa e da PCH em custo final".
O presidente do conselho da Copel afirmou que "estaremos presentes em um maior número de leilões de geração e transmissão. Não faz absolutamente nenhum sentido termos taxas de retorno inferiores... o que significaria destruir o valor da empresa", observou.
A Copel possui cinco obras em geração e transmissão de energia em andamento que fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o que lhe permite recorrer a financiamentos diretos do BNDES.
"Já temos solicitações protocoladas de até 1,6 bilhão de reais... esperamos que até o final do ano esses financiamentos sejam aprovados", disse o presidente da companhia, Lindolfo Zimmer.
BAIXO IGUAÇU
Os executivos da Copel confirmaram que a companhia mantém negociações com a Neoenergia para a construção da usina de Baixo Iguaçu.
O leilão de concessão da usina de 350 megawatts (MW) foi realizado em setembro de 2008 e teve como vencedor o consórcio formado por Neoenergia, com 90 por cento de participação, e Desenvix, com os 10 por cento restantes.
"A participação em Baixo Iguaçu foi feita por gestores anteriores e a empresa não foi feliz na estratégia", disse o presidente do conselho.
De acordo com Schulman, surgiram "novos fatos" que indicaram possibilidades que não estavam presentes no leilão. "Estudos técnicos mostraram otimização do aproveitamento", disse o executivo, citando, por exemplo, o fato de que a Copel já possui uma usina a 15 quilômetros do local onde será erguido o empreendimento.
"Isso significa que nem precisaria de uma sala de comando... seria uma vantagem enorme nos custos", completa Schulman.
(Por Carolina Marcondes)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Programa Nuclear Brasileiro realiza audiência pública sobre segurança



Perigos e possibilidades das usinas nucleares foras discutidas nesta quarta-feira em Brasília
Por Pablo Peixoto
As diferenças geológicas e de características entre as usinas nucleares do Brasil e do Japão foram usadas como justificativa em defesa do Programa Nuclear Brasileiro em audiência pública, realizada pela Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, em Brasília.
Na audiência estavam presentes representantes da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e da Eletrobras Termonuclear (Eletronuclear). Durante a reunião foi apresentada a estrutura do sistema implantado no Brasil, bem como as medidas já utilizadas e em estudo para garantir a segurança e a melhoria do sistema, informou o site do Ministério da Ciência e Tecnologia
O presidente da INB, Alfredo Tranjan, mostrou aos deputados detalhes do funcionamento das Usinas de Angra 1 e Angra 2, além das metas para ampliação do setor. Ele explicou que o Brasil trabalha com um sistema moderno e de gestão integrada, além de seguir orientações de especialistas e certificações internacionais. O presidente da Cnen, Odair Gonçalves, esclareceu dúvidas relacionadas aos possíveis riscos à saúde no caso de exposição à radiação.
O presidente da Eletronuclear, Othon Silva, lembrou que o Brasil está no meio de uma grande placa tectônica, o que torna mais improvável a ocorrência de um terremoto com a mesma magnitude do evento registrado no Japão. “Agregar energia na nossa matriz de energia elétrica é fundamental para a transformação deste país. Não podemos nos dar o luxo de descartar a energia nuclear e nem usá-la de forma irresponsável, colocando em risco a nossa população. É um momento de reflexão, de aprendizagem e de humildade”, concluiu Silva.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Energia Nuclear - Como Funciona.




Energia nuclear é a energia liberada numa reação nuclear, ou seja, em processos de transformação de núcleos atômicos. Alguns isótopos de certos elementos apresentam a capacidade de se transformar em outros isótopos ou elementos através de reações nucleares, emitindo energia durante esse processo. Baseia-se no princípio da equivalência de energia e massa (observado por Albert Einstein), segundo a qual durante reações nucleares ocorre transformação de massa em energia. Foi descoberta por Hahn, Straßmann e Meitner com a observação de uma fissão nuclear depois da irradiação de urânio com nêutrons.
A tecnologia nuclear tem a finalidade de aproveitar a energia nuclear, convertendo o calor emitido na reação em energia elétrica. Isso pode acontecer controladamente em reator nuclear ou descontroladamente em bomba atômica.

O que é o urânio enriquecido?

Só de ler esse nome a gente já pensa em bombas nucleares, né? Mas a principal utilidade do urânio enriquecido é gerar energia elétrica. Ele recebe o adjetivo porque o urânio encontrado na natureza é bastante "pobre": 99,27% do metal é formado por urânio-238, que não serve para as usinas nucleares.
Energeticamente falando, o que interessa mesmo é o urânio-235 (U-235), que compõe menos que 1% da massa total do urânio extraído nas minas. O produto enriquecido nada mais é que o metal bruto com uma porcentagem de U-235 aumentada artificialmente. Quando essa quantidade chega a 2% ou 3%, o produto já é capaz de gerar energia nas usinas.
Mesmo com essa proporção aparentemente baixa, a força que tal matéria-prima gera é absurda: alguns gramas de urânio enriquecido fornecem energia equivalente à da queima de toneladas de carvão ou de milhões de litros de gasolina. Esse poder todo vem da fissão, ou seja, da quebra dos átomos do U-235. Não existe forma mais eficiente de obter energia do que quebrar átomos.
E o U-235 tem justamente a propriedade de se romper sem resistência. Basta lançar uma partícula - um nêutron, no caso -, para que ele arrebente e gere energia pura. Um exemplo funesto dessa força está nas bombas atômicas. A diferença é que o urânio dessas armas é bem mais rico em U-235 que o das usinas. O urânio-238 que sobra do enriquecimento não vai todo para o lixo.
Entre outras coisas, ele pode ser convertido em plutônio, que também serve para as usinas nucleares e, infelizmente, para a fabricação de mais bombas.
Inicialmente, o urânio é extraído de pedreiras ou de minas. Ele não é encontrado em sua forma natural, mas misturado a outros elementos diferentes. O mineral bruto contém apenas 0,3% de urânio.
Em seguida, o urânio é separado dos outros elementos minerais e o que sobra é o óxido de urânio, conhecido como "yellow cake" ("bolo amarelo", em tradução literal). Depois, o óxido de urânio é convertido em um composto gasoso, o hexafluorido de urânio.
Para ser enriquecido e transformado em combustível, o hexafluorido de urânio é processado em centrífugas nucleares.
O gás é submetido a rotação em velocidades extremas. Os átomos de urânio mais pesados (U-238) se concentram no alto da centrífuga, e os mais leves (U-235) ficam no centro. O gás recuperado no centro é enviado para uma nova centrífuga, que repete o processo sucessivamente, aumentando o grau de concentração de urânio. As usinas que fazem esse processo possuem milhares de centrífugas.
Para alimentar um reator nuclear de uso civil, é necessário que a taxa de enriquecimento de urânio esteja entre 3% e 5%. Para construir uma bomba atômica, é necessário ter urânio enriquecido em ao menos 90%.

Enriquecimento de Urânio - Concentração perigosa

O processo de coletar o urânio natural, contendo 0,7% de U235, 99,3% de U238 e traços de U234, e retirar uma quantidade de 238 para aumentar a concentração de 235, é conhecido como enriquecimento. O melhor processo é aquele que envolve o menor custo de produção. Para a produção de 1 kg de U235 enriquecido entre 3 e 3,5 % é necessário o consumo de cerca de 2.300 KWh
1. O urânio sai das minas na forma de dióxido de urânio (UO2), misturado a argila, enxofre e outras impurezas. Uma tonelada desse metal na natureza contém apenas 7 quilos de urânio-235 (U-235), o ideal para gerar energia nuclear. O principal composto restante é o menos aproveitável urânio-238 (U-238)
2. O urânio bruto é limpo com elementos como ácido sulfúrico e transformado em pó. Depois, é submetido a um gás à base de flúor sob uma temperatura de 550 ºC, tornando-se uma substância gasosa também. Esse produto passa por um novo banho de flúor, a 350 ºC, e vira um gás com moléculas compostas por um átomo de urânio e seis de flúor (UF6)
3. O UF6 é direcionado contra uma espécie de peneira, uma barreira cheia de poros microscópicos. O U-235 é menor que o U-238 e passa pelos poros mais facilmente. A passagem pela "peneira" é repetida até a concentração de U-235 chegar ao nível desejado. Depois, outros processos separam o urânio enriquecido do flúor e transformam o metal gasoso em tabletes sólidos
4A. O urânio pobre - o U-238 barrado na "peneira" - também tem utilidade. Ele é aplicado na blindagem de tanques de guerra e na construção de projéteis (munições), já que é 2,5 vezes mais pesado que o aço. Mas também há um uso civil: denso, ele serve como contrapeso na carcaça de aviões
4B. O urânio pouco enriquecido, com 2% a 4% de U-235, é suficiente para as usinas nucleares. Nelas, a energia criada pela fissão desses átomos é usada para ferver água. E o vapor resultante move as turbinas, gerando eletricidade. Esse mesmo urânio também é usado para impulsionar submarinos e porta-aviões nucleares
4C. O metal altamente enriquecido tem entre 90% e 99% de U-235. Como essa concentração é muito grande, o produto gera uma energia absurda em frações de segundo. Por isso esse é o urânio enriquecido usado nas bombas atômicas. Alguns gramas dele causam mais destruição do que a vista em Hiroshima, no Japão, em 1945.

O Reator Nuclear.

De uma forma simplificada, um Reator Nuclear é um equipamento onde se processa umareação de fissão nuclear, assim como um reator químico é um equipamento onde seprocessa uma reação química.
Um Reator Nuclear para gerar energia elétrica é, na verdade, uma  Central Térmica,onde a fonte de calor é o urânio-235, em vez de óleo combustível ou de carvão. É, portanto,uma Central Térmica Nuclear.
O urânio, enriquecido a cerca de 3,2% em urânio-235, é colocado, em forma de pastilhas de 1 cm de diâmetro, dentro de tubos (“varetas”) de 4m de comprimento, feitos de uma liga especial de zircônio, denominada “zircalloy”.
As varetas, contendo o urânio, conhecidas como Varetas de Combustível, são montadas em feixes, numa estrutura denominada ELEMENTO COMBUSTÍVEL.



As varetas são fechadas, com o objetivo de não deixar escapar o material nelas contido (o urânio e os elementos resultantes da fissão) e podem suportar altas temperaturas.
A Vareta de Combustível é a primeira barreira que serve
para impedir a saída de material radioativo para o meio ambiente.

Os elementos resultantes da fissão nuclear (produtos de fissão ou  fragmentos da fissão) são radioativos, isto é, emitem radiações e, por isso, devem ficar retidos no interior do Reator
Na estrutura do Elemento Combustível existem tubos guias, por onde podem passar as barras de controle, geralmente feitas de cádmio, material que absorve nêutrons, com o objetivo de controlar a reação de fissão nuclear em cadeia.
Quando as barras de controle estão totalmente para fora, o Reator está trabalhando no máximo de sua capacidade de gerar energia térmica.
Quando elas estão totalmente dentro da estrutura do Elemento Combustível, o Reator está “parado” (não há reação de fissão em cadeia).
Os Elementos Combustíveis são colocados dentro de um grande vaso de aço, com “paredes” bastante espessas, mais de 30 cm.


Esse enorme recipiente, denominado Vaso de Pressão do Reator, é montado sobre uma estrutura de concreto, com cerca de 5 m de espessura na base.
O Vaso de Pressão do Reator é a segunda barreira física que serve para impedir a saída de material radioativo para o meio ambiente.

O Vaso de Pressão contém a água de refrigeração do núcleo do reator (os elementos combustíveis). Essa água fica circulando quente pelo Gerador de Vapor, em circuito, isto é, não sai desse Sistema, chamado de Circuito Primário.
A água que circula no Circuito Primário é usada para aquecer uma outra corrente de água, que passa pelo Gerador de Vapor.


A outra corrente de água, que passa pelo Gerador de Vapor para ser aquecida e transformada em vapor, passa também pela turbina, em forma de vapor, acionando-a.  É, a seguir, condensada e bombeada de volta para o Gerador de Vapor, constituindo um outro Sistema de Refrigeração, independente do primeiro.
O sistema de geração de vapor é chamado de Circuito Secundário.
A independência entre o Circuito Primário e o Circuito Secundário tem o objetivo de evitar que, danificando-se uma ou mais varetas, o material radioativo (urânio e produtos de fissão) passe para o Circuito Secundário. É interessante mencionar que a própria água do Circuito Primário é radioativa.
O Vaso de Pressão do Reator e o Gerador de Vapor são instalados em uma grande “carcaça” de aço, esse envoltório, construído para manter contidos os gases ou vapores possíveis de serem liberados durante a operação do Reator, é denominado Contenção.

                 

A Contenção é a terceira barreira que serve para impedir a saída de material radioativo para o meio ambiente.

Um último envoltório, de concreto, revestindo a Contenção, é o próprio Edifício do Reator. Tem cerca de 1 m de espessura.

                 

O Edifício do Reator, construído em concreto e envolvendo a Contenção de aço, é a quarta barreira física que serve para impedir a saída de material radioativo para o meio ambiente e, além disso, protege contra impactos externos (queda de aviões e explosões).

Acidente Nuclear – Definição.

Apesar de um Reator Nuclear não poder explodir como uma bomba atômica, isso não quer dizer que não seja possível ocorrer um acidente em uma Central Nuclear.
Por esse motivo, a construção de uma  Usina Nuclear envolve vários aspectos de segurança, desde a fase de projeto até a construção civil, montagem dos equipamentos e operação.
Um acidente é considerado nuclear, quando envolve uma reação nuclear ou equipamento onde se processe uma reação nuclear.
O perigo potencial na operação dos Reatores Nucleares é representado pela alta radioatividade dos produtos da fissão do urânio e sua liberação para o meio ambiente.
A filosofia  de segurança  dos  Reatores  Nucleares  é dirigida  no  sentido de que as Usinas Nucleares sejam projetadas, construídas e operadas com os mais elevados padrões de qualidade e que tenham condições de alta confiabilidade.
As barreiras físicas citadas constituem um Sistema Passivo de Segurança, isto é, atuam, independentemente de qualquer ação.
Para a operação do Reator,  Sistemas de Segurança são projetados para atuar, inclusive de forma redundante: na falha de algum deles, outro sistema, no mínimo, atuará, comandando, se for o caso, a parada do Reator.
          



sábado, 12 de março de 2011

Chuvas paralisam obras da hidrelétrica São Domingos, no MS

A Eletrobras Eletrosul anunciou nesta quinta-feira (10/3) que "as fortes chuvas que atingem o Mato Grosso do Sul desde o dia 27 de fevereiro, ininterruptamente", obrigaram a paralisação temporária das obras da hidrelétrica São Domingos, em Água Clara, a 250 quilômetros de Campo Grande. Segundo a estatal, o temporal que atingiu todo o estado no sábado (5) elevou o leito do rio Verde em três metros, obrigando a interdição da ponte de acesso às duas margens do canteiro de obras da usina por questões de segurança. Os trabalhos também estão paralisados na casa de força e a concretagem do vertedouro foi suspensa.
De acordo com o engenheiro residente, André Batistela, a situação deve ser normalizada em no máximo cinco dias, com o escoamento da água, caso as chuvas dêem uma trégua. A estatal afirma que as previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam para o fim das chuvas nesse período.
O engenheiro da Eletrosul, porém, garante que o andamento da obra não foi comprometido porque, mesmo com a casa da força interditada e a concretagem do vertedouro paralisada, há outras frentes de serviço na ativa. A previsão da companhia é de que em 10 dias se recomece a construção da barragem da margem oposta da obra, juntamente com o desvio do leito do rio Verde, que a partir desta etapa, passa a ser somente pelas adufas (galerias na parte inferior do vertedouro), voltando ao leito principal, logo abaixo da barragem. A previsão é de que a usina inicie a operação em janeiro de 2012.
Fonte: Jornal da Energia

quinta-feira, 10 de março de 2011

Paraná se torna referência na engenharia de hidrelétricas


As Usinas Hidrelétricas (UHEs) que estão em processo de implantação no Brasil têm uma potência instalada que poderá gerar um volume adicional de energia elétrica de 26,2 mil MW nos próximos dez anos. Mais de 80% (80,8%) deste total virá de usinas cujos projetos de engenharia são responsabilidade de uma empresa nacional, sediada em Curitiba (PR), a Intertechne Consultores S.A. Esta energia vai auxiliar no atendimento à demanda do consumo interno, definida pelo Plano Decenal de Expansão de Energia 2019 do Ministério de Minas e Energia (MME). Também acompanhará o desenvolvimento econômico do Brasil, que deverá crescer a uma taxa de 5,1% ao ano no período.

“O Paraná vive um momento especial por concentrar boa parte da elaboração dos projetos de obras relevantes do segmento hidrelétrico. É o estado da engenharia de hidroenergia”, ressalta o diretor presidente da Intertechne, Antonio Fernando Krempel. Em função do cenário favorável a grandes projetos hidrelétricos, a Intertechne adequou sua estrutura para atender à demanda das novas usinas em processo de implantação.

As hidrelétricas que entraram em operação no período de 2001 a 2010 no país têm potência instalada que gera um volume adicional de energia elétrica de 17,1 mil MW - e cerca de 15% deste total veio das usinas com participação da Intertechne. ”Hoje as cinco maiores hidrelétricas em processo de implantação contam com a nossa experiência e com nossos profissionais para a realização de serviços de engenharia”, ressalta Krempel. ”A potência instalada apenas nestas cinco grandes usinas vai responder por 78,6% do total previsto até 2019”.

As maiores - As cinco maiores hidrelétricas que serão construídas no Brasil têm potência instalada de 20.590 MW. A Usina de Estreito, localizada no Rio Tocantins, na divisa dos Estados do Tocantins e do Maranhão, possui a quinta maior capacidade instalada das 30 usinas em processo de implantação - 1.087 MW. A quarta maior é a de Teles Pires, que será construída no Mato Grosso. Sua potência é de 1.820 MW. A Usina de Santo Antonio, com 3.150 MW, está sendo construída no Rio Madeira, a 10 km de Porto Velho (RO) e tem o terceiro maior potencial. Jirau, que está em construção em Rondônia, terá uma capacidade de 3.300 MW e tem a segunda grande potência. A maior de todas é a de Belo Monte, cujo potencial ultrapassa 11 mil MW. Nestas usinas, a empresa paranaense participa através da elaboração de projetos básico, executivo ou do gerenciamento de obras. “Em Belo Monte, Teles Pires e Estreito, a Intertechne é a líder dos Consórcios de Projetistas para a construção de tais usinas”, conta o diretor presidente.

No total, a Intertechne participa hoje de oito projetos de hidrelétricas no Brasil. No exterior, atua em grandes obras, como na elaboração dos projetos da Hidrelétrica de Palomino e das Barragens de Sabana Yegua e Monte Grande, na República Dominicana, nas usinas Ocoña e Chaglla, no Peru, e na UHE Brito, na Nicarágua.

A Intertechne – Fundada em 1987, é uma empresa brasileira que se consolidou no seu campo de atuação como uma das principais empresas de engenharia de projeto e consultoria, atuando seletivamente em uma esfera de empreendimentos hidráulicos, hidrelétricos e de geração e transmissão de energia elétrica, assim como em outros segmentos de infraestrutura. A empresa atua nos projetos básicos, executivos e gerenciamento do metrô de São Paulo e do Rio de Janeiro, além de projetos rodoviários e serviços para a Usina Nuclear de Angra 3. Com seu escritório principal em Curitiba, a Intertechne conta ainda com o apoio de sucursais em outras capitais do Brasil, no México e na Argentina.



Fonte: Agência Nacional de Energia Elétrica